Habeas corpus para presidente do Cofen pode ser concedido
A decisão, da ministra Laurita Vaz, prevê que só podem
ser considerados peritos oficiais aqueles inscritos regularmente nos
conselhos nacionais de suas áreas profissionais. Assim, os peritos
contábeis, no caso da Operação Predador, teriam de contribuir para o
Conselho Federal de Contabilidade.
O procurador federal Marcelo Freire, autor das denúncias
contra os réus da Predador, considerou a medida "inédita" e "absurda".
Ele explicou que todos os laudos têm de ser assinados por dois peritos
oficiais e até a decisão da 5ª Turma do STJ o perito era considerado
oficial depois de prestar concurso e tomar posse do cargo.
Na
sua opinião, o mais grave da decisão, que classificou de uma "inovação"
de Laurita, é que isso abre um precedente contra todas as operações da
PF fundamentadas em laudos periciais e contra todos os processos
derivados dessas investigações. A interpretação de Laurita, relatora do
pedido de habeas-corpus de Gilberto Linhares Teixeira, acusado de ser o
líder dos fraudadores e condenado a 19 anos de cadeia, foi seguida
pelos ministros da 5ª Turma Arnaldo Esteves Lima e Felix Fischer.
"Onde essa exigência é formulada no ordenamento brasileiro? Eu
desconheço. Isso não existe como obrigação em nenhuma lei no Brasil",
observou Freire. Na decisão, Laurita dedica um curto parágrafo ao tema,
mas não cita nenhuma lei para embasar sua conclusão. O procurador
contou que, ao serem aprovados nos concursos, os peritos, em geral,
deixam de contribuir financeiramente para os conselhos profissionais
porque ficam legalmente proibidos de exercer atividades privadas.
NOVOS LAUDOS
"Ela inovou. Criou uma obrigação
que não existe na lei e anulou os laudos e as sentenças. É muito
preocupante", acrescentou o procurador, ressalvando que sua crítica é à
decisão e não aos ministros. Ele já solicitou à superintendência da PF
que produza novos laudos para a Operação Predador, agora assinados por
dois peritos com registro no conselho. "Para ter uma idéia, dos 17
peritos contábeis que a PF tem no Rio, apenas 2 têm o registro",
contou.
Freire prevê uma "enxurrada de pedidos de habeas-corpus" em
casos semelhantes e se preocupa com a possível consolidação dessa
jurisprudência. "Se houver novas decisões como essa, vai ser o caos.
Todas as operações balizadas em laudos periciais vão ser anuladas",
afirmou ele. "É razoável que o Poder Judiciário crie uma obrigação não
prevista e ainda retroaja essa decisão para anular fatos passados?"
Fonte: Estado de São Paulo
Last modified 05-06-2007 19:33

Para não esquecer: Edma e Marcos