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Enfermeiro vai deixar a cidade para trabalhar em assentamento do MST

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Foi depois de passar um mês em um assentamento da reforma agrária no interior de Minas Gerais que Bernardo Amaral, de 27 anos, conseguiu sentir-se ligado a um "projeto de país". É assim que Amaral classifica a experiência - um complemento à universidade, que, segundo ele, deixava nele um sentimento de isolamento da realidade brasileira.

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Formado em Enfermagem na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Amaral se integrou ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) após participar de um estágio interdisciplinar de vivência nos assentamentos do movimento.

“A gente fica ali morando, vivendo, sentindo o que é ser um sem-terra, e isso abre para a gente uma oportunidade que a universidade não traz, que a juventude muitas vezes não tem, que é transformar sua profissão e vincular a um projeto de país, a um projeto de nação”, conta.

Ele critica o modo como que se dá a formação profissional dos jovens, atualmente. “Na universidade, um profissional é formado distante do nosso país, distante da realidade do nosso povo. Conhecer dentro do MST, ou ir em uma comunidade quilombola e indígena e viver junto com o povo, é o processo de formação que a gente precisa construir”, diz.

“O estudante, quando é levado para fora da faculdade, para pensar, viver, pisar em outro lugar, rapidamente se encanta com a realidade do nosso povo. Hoje, muitas vezes, a faculdade separa os processos de formação do estudante do seu chão: separando culturalmente, intelectualmente e até fisicamente. Tem até aquela frase: a cabeça pisa onde o pé pisa. Então como a gente vai formar um profissional de saúde distante da sua própria realidade?”, questiona.

Amaral se formou em dezembro do ano passado e, agora, vai morar no assentamento Oziel Alves, em Governador Valadares (MG). Questionado se pretende ficar lá para o resto da vida, hesita em um primeiro momento, mas diz que sim. “Pretendo. É uma construção de vida. Como 6 milhões de pessoas fazem hoje no Brasil. É a vida do nosso povo, o que tem de anormal isso? Ter uma família no campo é muito melhor que ter uma família na cidade. A gente tem escola, saúde, pode escolher o que plantar, o que comer.”

Ele conta que o Oziel Alves é um assentamento antigo em Minas Gerais, e as famílias de lá vivem em agrovilas. “Têm sua escola, sua produção, bibliotecas, já têm as suas casas, é um assentamento estruturado. É hoje o centro de formação estadual do movimento”, conta. Atualmente, Amaral trabalha no setor estadual de saúde do MST e desenvolve projetos na área de saúde coletiva dos assentamentos.


Foto: Marcello Casal Jr/ABr
Matéria: Marcela Rebelo - Repórter da Agência Brasil

Created by alexandre
Last modified 18-06-2007 17:33
Para não esquecer: Edma e Marcos

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