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63º Conselho Diretor da OPAS: Brasil defende cooperação internacional, fortalecimento do SUS e inovação com centralidade nos trabalhadores da saúde

63º Conselho Diretor da OPAS: Brasil defende cooperação internacional, fortalecimento do SUS e inovação com centralidade nos trabalhadores da saúde

O 63º Conselho Diretor da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), realizado em Washington, D.C., nos Estados Unidos, entre os dias 28 de setembro e 2 de outubro, reúne ministros da Saúde e autoridades das Américas para debater estratégias regionais, governança sanitária e os grandes desafios do setor. O evento também conta com a forte presença de representações sociais e sindicais, como a delegação da Internacional de Serviços Públicos (ISP), integrada pela ministra Marise Ribeiro, Chefe da Assessoria Especial de Assuntos Internacionais do Ministério da Saúde  do governo brasileiro,  por Pedro Vilardi, coordenador das equipes de saúde da Internacional de Serviços Públicos (ISP) nas Américas, e Fábio Melo (da Colômbia), além da representação da Federação Nacional dos Enfermeiros (FNE), por meio da vice-presidenta Shirley Morales, representando a presidente da FNE e da Federação de Trabalhadores da Saúde da ISP nas Américas, Solange Caetano. 

Defesa da ciência, do SUS e de respostas conjuntas

Membro fundador da OPAS, o Brasil marcou posição na abertura do evento por meio de pronunciamento enviado pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Em discurso, o ministro reafirmou o compromisso brasileiro com a ciência e com o multilateralismo para enfrentar a combinação de antigos e novos desafios sanitários nas Américas.

Foram destacados problemas como o ressurgimento de doenças imunopreveníveis (a exemplo do sarampo), os impactos das mudanças climáticas sobre a saúde, não podem mais ser tratados em agendas separadas, o avanço das doenças crônicas, as desigualdades de acesso e os riscos de emergências sanitárias, além de se registrar um repúdio oficial do governo brasileiro ao cancelamento do visto do ministro e de sua família, ato considerado ideológico e prejudicial à imparcialidade da saúde global.

Padilha apresentou os avanços do Sistema Único de Saúde (SUS), como a expansão do programa Agora Tem Especialistas, o uso da telemedicina e de unidades móveis para reduzir barreiras geográficas e de acesso, além de marcos na imunização (como a vacina pneumocócica 20-valente e os avanços contra a dengue) e na eliminação da transmissão vertical do HIV e das hepatites virais.

Transformação digital, Inteligência Artificial e a voz dos trabalhadores

Em paralelo à agenda oficial, pautas importantes sobre o futuro do trabalho em saúde ganharam espaço. Shirley Morales, vice-presidenta da Federação Nacional dos Enfermeiros (FNE), integrou ativamente as articulações e as discussões. 

Durante a programação, que incluiu debates sobre os 50 anos do Programa de Emergência em Saúde da OPAS e a ampliação da participação social, destacou-se uma intervenção especial dedicada à transformação digital e ao uso de Inteligência Artificial (IA) nas Américas.

A mensagem central defendida pelas lideranças sociais e sindicais, com forte eco da representação dos profissionais de enfermagem, foi clara: a inteligência artificial deve atuar como ferramenta de apoio, jamais como substituta dos trabalhadores da saúde, em especial nas áreas de enfermagem e medicina. Nesse sentido, foi solicitado o apoio da OPAS para a realização de um estudo qualitativo ainda este ano sobre os impactos reais da IA no trabalho em saúde, reiterando a urgência de um diálogo democrático, inclusivo e com forte participação social nas inovações tecnológicas do setor.

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